Um pastor chinês que hoje vive nos Estados Unidos tem se levantado como instrumento de Deus para alcançar uma comunidade que, apesar de viver em solo cristão, permanece espiritualmente distante do Evangelho. O pastor Jack Tai tem dedicado sua vida à evangelização de imigrantes chineses no estado do Texas, onde identificou uma realidade preocupante: milhares ainda não conhecem a Cristo.
Ao chegar aos EUA, Tai acreditava que a forte presença de igrejas já havia alcançado grande parte dos imigrantes. No entanto, a realidade foi outra. “Para minha surpresa, no Texas, a população chinesa ainda não foi alcançada pelo cristianismo”, afirmou. Na região de Dallas-Fort Worth, estima-se que cerca de 100 mil chineses residam — e aproximadamente 90% deles não professam a fé cristã.
O pastor observa uma diferença espiritual marcante entre os chineses que vivem em seu país de origem e os que migraram para os Estados Unidos. “Na China, os corações anseiam por esperança, mas aqui muitos estão focados no sonho americano. Quando se convertem, enfrentam dificuldade para se comprometer com Deus. O conforto se torna um obstáculo”, explicou.
A Bíblia já alerta sobre esse perigo espiritual. Em Mateus 6:24, Jesus ensina: “Ninguém pode servir a dois senhores”. Para o pastor, muitos acabam divididos entre Deus e as riquezas, o que enfraquece a fé.
Convertido ao cristianismo ainda jovem, após contato com missionários, Tai estudou Teologia nos EUA, retornou à China como plantador de igrejas e, em 2023, voltou ao território americano com uma missão clara: alcançar os seus compatriotas. Foi então que fundou a igreja Joy, na cidade de Plano, no Texas.
Com uma abordagem simples e bíblica, ele tem adotado a hospitalidade como estratégia evangelística. “Convidamos pessoas para refeições em nossa casa. É assim que criamos relacionamento e abrimos portas para o Evangelho”, disse.
A igreja também utiliza datas culturais, como o Ano Novo Chinês, para promover encontros. Em uma dessas ocasiões, cerca de 200 pessoas participaram de um evento com comida típica, atividades e pregação da Palavra de Deus. “Foi uma noite de alegria, mas também de salvação”, relembrou.
Atualmente, a congregação reúne cerca de 20 pessoas semanalmente. Em dois anos, 10 pessoas aceitaram Jesus, e oito foram batizadas — frutos que demonstram que, mesmo em solo de aparente resistência, o Evangelho continua sendo poder de Deus para salvação (Romanos 1:16).
Além disso, Tai tem atuado no ambiente escolar e familiar. Sua esposa lidera um grupo de leitura com mulheres chinesas, muitas delas não cristãs, utilizando livros com princípios bíblicos sobre criação de filhos como ponte para o Evangelho.
De acordo com Baptist Press, o pastor também destacou que a solidão e a barreira do idioma tornam os imigrantes mais vulneráveis ao isolamento. Por isso, iniciativas como aulas de inglês nas igrejas têm sido ferramentas eficazes para integração e evangelização.
Recentemente, a igreja iniciou um projeto voltado a jovens, realizando encontros semanais em um ginásio escolar. “Muitos nunca ouviram o Evangelho. Alguns vêm de contextos hindus e muçulmanos”, relatou.
O desafio missionário se estende a outros grupos asiáticos na região, como indianos e vietnamitas. Ainda assim, o pastor segue firme, entendendo que Deus está movendo as nações — não apenas enviando missionários, mas trazendo os povos até eles.
Como disse seu colaborador, o pastor Mack Roller, há uma responsabilidade espiritual nesse cenário: “Deus, em sua soberania, trouxe pessoas de várias nações até nós. Precisamos compartilhar o Evangelho com elas”.
A missão continua, e o chamado permanece ecoando como em Atos 1:8: “E sereis minhas testemunhas… até os confins da terra.” Mesmo em meio ao conforto do mundo moderno, Deus segue chamando homens e mulheres a viverem não para este século, mas para a eternidade.














