Milhares de pessoas comparecem ao funeral de James Brown

Líderes de direitos civis, artistas e legiões de fãs compareceram no sábado ao funeral de James Brown, o cantor cuja música e mensagem traduziram uma geração de mudanças revolucionárias para os negros nos Estados Unidos.

Até mesmo o cantor Michael Jackson fez uma rara aparição em público, chegando ao funeral enquanto a banda de Brown, The Soul Generals, tocava antigos hits para uma multidão de cerca de 9.000 pessoas.

Brown foi colocado em um caixão dourado, aberto, na Arena James Brown, que foi batizada em homenagem ao filho mais célebre da cidade de Augusta em agosto deste ano. Brown morreu de falência cardíaca congestiva no dia de Natal, aos 73 anos.

O lendário showman, conhecido como o “Padrinho do Soul”, estava vestido em um terno preto e camisa vermelha, coberto de jóias.

A multidão, na maioria negros, lotou o ginásio para o funeral público e a celebração que aconteceu depois do velório no Teatro Apollo, em Nova York, na sexta-feira.

Algumas pessoas esperaram desde a noite de sexta-feira para o início do velório em Augusta. Muitos fãs ficaram decepcionados porque não puderam entrar no ginásio.

“James Brown é, na minha opinião, o maior cantor de todos os tempos e sou seu fã número 1”, disse Jesse Williamson, 59, que viu pela primeira vez um show do cantor em 1963.

O fã disse que sua juventude foi “uma época humilhante (para os negros), mas com o passar do tempo, Martin Luther King, James Brown e outros fizeram a diferença”, referindo-se ao sistema de segregação racial do Sul dos EUA e ao movimento dos direitos civis.

A música de Brown, com os sopros e guitarras em staccato e vocais explosivos, colocou o funk em evidência e influenciou a música pop e a dance music desde os anos 1960.

Músicos de hip-hop o reverenciavam e muitos usaram seus ritmos como parte de suas composições. Artistas que, como Michael Jackson, usam a dança como parte de sua expressão, inspiraram-se no estilo de Brown.

O funeral começou com um vídeo de concertos recentes de Brown em Londres, seguido por uma sessão de música gospel, e incluiu um tributo do líder de direitos civis Al Sharpton.

“O mundo todo mudou seu ritmo por causa de James Brown”, disse Sharpton, que convidou Jackson a subir no palco.

O cantor disse que Brown é sua “maior inspiração” e contou que sua mãe costumava acordá-lo à noite para assistir Brown na televisão.

O comediante e ativista Dick Gregory e o cantor MC Hammer também estavam presentes ao evento.

Brown nasceu na Carolina do Sul e cresceu na pobreza em Augusta, começando sua carreira musical na cadeia, como menor infrator.

Ele colocou 119 canções na parada de sucesso, incluindo “Please, Please, Please”, “Papa’s Got a Brand New Bag”, “It’s a Man’s World” e “Living in America”, mas sua influência musical foi ainda mais marcante que seu sucesso nas paradas.

Ele começou a excursionar nos anos 1950 no circuito de rhythm and blues e sua ascensão à fama coincidiu com a era dos direitos civis nos EUA. Brown tornou-se um símbolo vivo do orgulho negro com a música “Say It Loud (I’m Black and I’m Proud)”.

Brown, que insistia em ser chamado de Sr. Brown, considerava-se “o homem mais trabalhador do show business” e apresentou-se em mais de 100 shows este ano. Ele iria tocar na Times Square, em Nova York, como parte das festas de Ano Novo.

Fonte: 24 Horas News

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