Brasil 1 parte para etapa perigosa da Volta ao Mundo

O clima de despedida do Brasil 1 no Jetty 1 da Marina de Waterfront foi de bastante emoção. A flotilha de sete barcos largou às 9 horas de Brasília desta segunda-feira em Granger Bay, na Cidade do Cabo, rumo a Melbourne, na Austrália.

Os familiares dos tripulantes do Brasil 1 chegaram bem cedo nas docas e o choro foi inevitável na hora dos beijos e dos abraços. Os filhos de Marcelo Ferreira, um dos reguladores de vela do barco, por exemplo, não queriam se separar do pai no momento do embarque, contribuindo ainda mais para a emoção coletiva. O espanhol Chuny Bermudez, por exemplo, não desgrudou de seus dois filhos. Esta é a primeira vez ele que disputa a regata de volta ao mundo como pai, já que sua filha mais velha acaba de completar três anos.

Por causa das festas de fim de ano, realizadas na África do Sul, os velejadores tiveram a companhia das famílias nesta parada e o convívio foi intenso, apesar do trabalho duro nos últimos dias, às vésperas da largada da segunda etapa da Volvo Ocean Race, a regata mais tradicional de volta ao mundo.

O clima de despedida afetou até mesmo o experiente comandante Torben Grael, que não escondeu a emoção ao abraçar os filhos Marco e Martina e a mulher Andrea. Ele agradeceu o apoio de todos que estiveram presentes no píer em que o Brasil esteve ancorado. A previsão é de que os barcos completem os cerca de 11.300 quilômetros até a Austrália em 15 dias.

Além dos familiares, o pessoal que trabalha na equipe de terra também participou da cerimônia de despedida, que teve a presença de um pastor que abençoou os participantes. O neozelandês Martin Carter, por exemplo, mandou um recado para o seu compatriota Stuart Wilson, responsável pelas velas do primeiro barco brasileiro a disputar a Volvo. “Não quebrem nada. Não quero trabalhar muito na Austrália”, pediu Carter. O diretor do projeto Brasil 1, Alan Adler, também mandou recado para a tripulação em inglês. “Não façam bobagens.”

A orientação para todos é realmente de ter cautela nesta etapa, em que são esperados ventos mais fortes, frio e ondas grandes. Todos os velejadores carregam um GPS individual como parte do sistema de segurança. Se caírem no mar, eles devem acionar imediatamente o aparelho e assim serem resgatados o mais rapidamente possível.

Largada

O Brasil 1, vice-líder na classificação geral, conseguiu um bom posicionamento na linha imaginária de largada numa área ao norte de Granger Bay. Tanto assim, que passou a linha na primeira colocação, puxando a fila de veleiros. Ao passar em frente ao Waterfront, onde os barcos ficaram ancorados, a embarcação de Torben Grael ainda estava em primeiro lugar, muito perto do espanhol movistar.

O tiro de largada foi dado exatamente no horário previsto, quando os ventos oscilavam em torno de 10 nós. Ainda neste primeiro dia de velejada, os participantes devem pegar rajadas superiores a 30 nós.

Dos sete veleiros inscritos, apenas dois estão competindo com a mesma tripulação da primeira etapa: o holandês ABN Amro Two e o espanhol movistar. Todos os outros cinco tiveram de fazer alterações na equipe. No Brasil 1, por exemplo, o navegador holandês Marcel van Triest e o timoneiro norueguês Knut Frostad reforçam o grupo nos mares do Sul.

O ABN Amro One, líder da competição, precisou substituir o neozelandês Mark Christensen, com o braço quebrado, pelo britânico Brian Thompson. Já o Piratas do Caribe, dos Estados Unidos, conta agora com o australiano Anthony Merrington no lugar do sueco Fredrik Loof, medalha de bronze na Olimpíada de Atenas. No sueco Ericsson, saiu o alemão Tony Kolb para a entrada do irlandês Damian Foxall, que inicialmente estava na tripulação do Brasil 1. O ING Brunel, da Austrália, também teve duas mudanças. Entraram Matt Humphries e Gareth Cooke nos lugares de Campbell Field e Graeme Taylor, respectivamente.

O Brasil 1 tem seis concorrentes de cinco países: os barcos holandeses ABN Amro 1 (comandado por Mike Sanderson/NZL) e ABN Amro 2 (Sebastien Josse/FRA); Ericsson Racing Team (Neil McDonald/ING), da Suécia; Piratas do Caribe (Paul Cayard/EUA), dos Estados Unidos; movistar (Bouwe Bekking/HOL), da Espanha; e ING Brunel (Grant Wharington/AUS), da Austrália.

Fonte: Último Segundo

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